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sexta-feira, 24 de maio de 2024

Tiago Malta - Entre Miçangas e Paçocas


Entre Miçangas e Paçocas - A autobiografia não autorizada de uma pessoa aleatória.


Versão física: https://loja.uiclap.com/titulo/ua57062/


Online: https://www.amazon.com.br/Entre-Mi%C3%A7angas-Pa%C3%A7ocas-autobiografia-autorizada-ebook/dp/B0D4KRPM39/


Fisico e Online: https://clubedeautores.com.br/livro/entre-micangas-e-pacocas


Online: https://poemadoti.kpages.online/pagina-de-vendas-864503cc-68ab-4467-91d7-52dffe581040

Este não é um livro de psicologia, nem mesmo de poesia, tampouco um manual de autoajuda ou um guia de hacklife. Esta é uma jornada não linear que não conduz a nenhuma conclusão. Este é um convite para explorar uma catarse pessoal, onde o sentido não é o objetivo final. Se você está disposto a mergulhar em reflexões que podem não levar a lugar algum, e apenas a refletir a não levar a vida tão a sério, “Entre Miçangas e Paçocas” é para você.

terça-feira, 9 de janeiro de 2024

26 conselhos para 2024


26 conselhos para 2024

Preocupe-se menos com os outros. Cuide-se mais. (Alfredo Moreira)

Não deixe que outras pessoas levem crédito pelo seu trabalho (Bárbara Martins)

Viva lá vida (Aline Dias)

Não tenha medo dos julgamentos, eles são o que pensam de você e não o que realmente você é! (Bia)

Cultivar a gratidão em seu coração. (Carlos Malta)

Não deixe pra depois o que você DEVE fazer agora. (Claudio Siqueira)

Depois de passar por certas situações na vida, nossa paz se torna inegociável. (Emília Nazaré)

Se não soma, não faz diferença. (Emmy)

Continue seu live de noise! Quero ver você sempre se apresentar! (Eric Marke)

Toda oportunidade é uma boa oportunidade. E mesmo aos 45min do segundo tempo, ainda dá pra fazer gol. Encontre mais os seus amigos. (Felipe Manhães)

Não tenha Twitter se seu psicológico não for dos melhores (Gleice)

Não crie expectativas nem com amigos de longa data. (Igor Lima)

Se no banheiro tiver um aerossol para eliminar os cheiros fecais, ele também serve pra dar uma "limpada" no cheiro do seu tênis. (José H. Magaton)

Hakuna Matata (Jorge Oliveira)

Nunca desistir! (Luana Alves)

Quando a liberdade do seu espírito tiver espaço pra te abraçar, você vai se sentir pleno com o que tem nas mãos e vai parar de buscar pequenos suspiros fora. (Lu Serpa)

Nada é fácil e nem da noite para o dia, até às coisas boas tem um processo. (Malu)

Se afaste de tudo que te faz mal. Priorize sua saúde mental. (Miriam)

Tenha paciência. Tire-a do cu, mas tenha paciência. (Monik)

Crie um cavalo alado, um bode vesgo ou até um pônei maldito, mas não crie expectativa. (Natalia Copolilo)

Seja amigo do seu fígado. (Paula Chelucci)

Quando for adotar um gato adote dois. (Paulo Monteiro)

Se arrisque mais...sem medo! (Rosa Silva)

Faça você por você (Shirlei Cardão)

Que não devemos dar 2° chance nunca nessa vida. Por que a pessoa te machuca de novo. (Uli)

Não contar com quem se diz seu amigo, mas nunca demonstrou o amor da amizade. (Yuri)

Tiago André M. Malta

CRP: 38560
Contatos: 99420-5918 (telegram e whatsapp) ou tiagomaltapsi@gmail.com

quarta-feira, 24 de maio de 2023

Engula Esse Choro e Aprenda a Não Reivindicar


Engula Esse Choro e Aprenda a Não Reivindicar

Em um dia ímpar alguém veio me falar sobre a “qualidade do choro”. Fiquei intrigado com essa afirmação como se existisse um ranking de choros, com protocolos e tutoriais de como uma criança pode ou não pode chorar. Como se alguém falasse para você “o seu filho não está chorando de forma adequada”.

Na prática clínica aprendi a não ranquear a dor dos cliente, não tenho o direito de falar que alguém está sofrendo mais que o outro, cada história é única com seus personagens, ângulos e temporalidades. Creio que o choro siga esta mesma premissa. Como posso ficar diminuindo choro de outra pessoa? Ainda mais de uma criança, que ainda esta aprendendo como se expressar.

Claro que sei que o choro alheio nos incomoda, evolutivamente essa é uma de suas funções, incomodar para alertar sobre um iminente perigo e isso é um dos fatores que garantiu a nossa sobrevivência, nossa prole está com um problema e utiliza um sinal sonoro para nos alertar, é instintivo, e como somos animais que vivemos em sociedade é muito difícil ignorar o choro alheio, muitos aprendem a disfarçar, mas se você não se importa com ele pode ter algo de errado.

Então se a criança está chorando, muitas vezes reprimimos este choro, com a máxima “só bebês choram” ou frases similares. Porém, adultos choram ou pelo menos deveriam chorar, tanto de tristeza como também de emoção. Quantas vezes chegam adultos no consultório que dizem não saber chorar, quando será que isso foi reprimido? Outros quando o fazem chegam a me pedir perdão, como se fosse algo errado. Mas se sempre carregamos lencinhos em nossos atendimentos, isso é uma prova de que ali é um bom lugar para chorar. E quando conseguem, eles têm um contato profundo consigo mesmo e é maravilhoso essa tomada de consciência, afinal, tem que ter muita coragem pra chorar (ainda mais na frente de outro ser humano). Pois ele muitas vezes é associado a fragilidade, e crer nessa conexão é um equívoco.

Voltando ao caso das crianças, deixem elas chorarem, você pode consolar, oferecer um copo d’água, mas não deveriam reprimir, outra razão para se deixar chorar, pois é uma ótima oportunidade para que aprendam a lidar com a frustração, e também aprendam que eles podem e devem chorar, mas não como uma forma de barganha, mas por que é saudável é benéfico para uma autopercepção.


Esse conselho serve não apenas para aplicar aos seu filho e respeitar seus momentos de choro, mas também para que você mesmo respeite seu choro, afinal, Seu filho um dia te fará chorar (depois eu falo melhor sobre isso). Chorar elimina poeira e outros resíduos dos seu olhos; Ele libera endorfina que ajuda a lidarmos tanto com dores físicas como emocionais, chorar lubrificar seus olhos protegendo de infecções, Ele ajuda a elevar o seu humor, pois funciona como um regulador térmico, ele aumenta atividade do sistema nervoso parassimpático que te ajudará a se acalmar, e por último ele é extremamente importante para se conseguir elaborar o luto.

Aproveito esta última informação para concluir esse texto: nosso primeiro sinal de vida é quando choramos, neste mesmo instante nossos pais choram emocionados, e em nosso último momento de existência nossos filhos estarão chorando por nós. Então por que negar ele no resto da jornada?

Rio de Janeiro, 16 de dezembro de 2019.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

17 Conselhos para 2023

 17 Conselhos para  2023



Se estiver igual petróleo, procure meu amigo Tiago (Alfredo Moraes)


Não crie expectativas para não se frustrar,  o ser humano é falho, uma hora vamos falhar também, e está tudo bem 😊 (Aline Caldas)


Seja forte, mesmo quando tudo diz ao contrário. Tenha paciência. (Angélica Abreu)


Amar é também deixar ir quando quiser. (Davi)


Os medíocres sempre desmerecem a quem tem algo verdadeiro a oferecer. (Emily Dankan Kunert )


Se conselho fosse bom seria vendido caro… kkkk (Felipe Lyrio)


Se cuide por você e pelos outros, pois os outros podem não se cuidar por você. (Felipe Manhães)


Não pense que nada é para sempre. (Igor Lima)


Sempre junte uma graninha no final do mês para você não passar dezembro zerado como eu. (Isa Blue)


Que a melhor liberdade é aquela  te liberta das correntes do passado. (Jairo E.)


Se coloque como prioridade! Ainda não aprendi.. mas tô tentando aprender rsrs (Jéssica R,)


Um começo ruim não te impede de alcançar os objetivos (Kim)


Nada é para sempre, nem quem a gente ama nem quem a gente odeia. ( Malu)


Tenha um gato. É uma das melhores decisões que você pode tomar. (Miguel C.)


Aprender a escutar e falar o necessário! (Miriam Medeiros)


Vai demorar e dar trabalho até as coisas melhorarem...(Pedro Tostes )


Não ouça músicas tristes! (Raphael)


Tiago André Marques Malta

CRP: 05/38560

Whatsapp: (21) 99420-5918

E-mail: tiagomaltapsi@gmail.com

Blog: http://tiago-malta.blogspot.com/



segunda-feira, 26 de setembro de 2022

Não ame seus filhos de Forma Igual

Não ame seus filhos de Forma Igual

            Somos cobrados para exercermos nossa individualidade  em várias fases de nossas vidas. Desde a customização de um uniforme, como se portar em uma entrevista, e afins. E ao mesmo tempo aprendemos a não se comportar da mesma forma em ambientes diferentes, tendo uma atitude no emprego e outra no lazer. E na esfera parental, será que essa regra também se aplica?


Provavelmente este seja o texto que eu mais entre de orelha para escrever, visto que por hora sou pai apenas de uma criança. Mas como irmão do meio posso também dar meus pitacos, pois essa frase sempre me incomodou “Amo meus filhos da mesma forma”. Como amar da mesma forma, indivíduos singulares que pensam e agem de formas diferentes?  E depois de quase 30 anos de existência, finalmente eu comecei a conhecer pais e mães que têm coragem de falar que amam seus filhos de formas diferentes. Não sei se cabe aqui a reflexão de que pais precisam ser francos neste sentido com seus filhos, isso é de cada um, mas essa tomada de consciência é importantíssimo para que não se sintam um monstro, caso prefiram a companhia de um filho ou de outro. Você prefere fulano ou ciclano? Está tudo bem, estamos falando aqui de pessoas interagindo com pessoas, seus filhos não são iguais, e é provável que nem queiram ser pessoas iguais  e  precisam exercitar esta individualidade


Partindo do princípio que seus filhos são pessoas diferentes, eu creio que posso afirmar: Ame-os seus filhos de forma diferente, eles não são uma coisa produzida em série, e o que você acerta com um, não há como prever se acertará com o outro. E isso já fica uma boa dica caso o seu segundo ou terceiro filho esteja chegando, lembre-se que vai ser uma experiência singular, não é só mais uma criança, ele é um ser único no universo, que terá características e expectativas únicas sobre você e sobre o mundo. Então baixe a bola do achismo não dando espaço para a ansiedade, pois se com o primeiro filho foi fácil a experiência, isso não significa que no segundo também será, mas também não fique tão apreensiva caso tenha sido um calvário com o primogênito, pois isso não significa que a experiência se repetirá. E por favor, quando estiver lendo isso, deixe o maniqueísmo de lado, não estou falando de bom e mau, mas sim de saúde, atitudes, dificuldade de dormir, comportamentos alimentares. Tudo pode ser uma experiência única. Por isso posso repetir, não ame seus filhos de forma igual, ame eles de formas diferentes. 


Também discordo dos “causos” de famílias que quando precisam comprar o presente de aniversário de um filho, e se sentem na obrigação de comprar para os outros filhos, com a justificativa de não se sentirem injustiçados (ou por outra justificativa qualquer). O fato é que a vida é muitas vezes injusta e precisamos ser resilientes e isso é uma ótima oportunidade para se exercitar isso com os pequenos (trabalhar com as frustrações), nem todos serão vencedores, tão pouco serão vencedores sempre. E quanto mais cedo entenderem que cada um tem o seu momento, será mais fácil que isso esteja introjetado para o futuro, e que entendam também que nem tudo é injustiça, mas apenas pluralidade. 


O outro motivo (penso eu) é que todo membro da família tem o direito de ser o centro em algum momento daquele núcleo, sem que isso tenha que se tornar uma crise entre os outros atores daquela história, pois não deve ser estimulada uma competição burra, quase um pomar propício ao cultivo dos invejosos. Pois hoje é só um presente de aniversário, mas amanhã pode ser a aprovação do vestibular ou a aquisição de um emprego, e aí? Será que ele vai torcer pelo irmão ou vai achar que está sendo injustiçado, pois foram tratados como a mesma pessoa? Se o meu irmão tem, logo, eu quero também e essa regra não é aplicável, nem num âmbito genético, quiçá em outras esferas.


Aproveitando o gancho do exemplo acima é uma ótima oportunidade também para que aprendam a comemorar os momentos (e as vitórias) de outras pessoas. Saber que não é o centro das atenções (sempre) e que os outros membros também têm sua importância e por isso merecem ser comemorados. Principalmente entre irmãos, que deveriam ser seus grandes amigos para a vida inteira, mas muitas vezes são estimulados a terem um pensamento de disputas ao invés de serem estimulados a se cooperarem, sendo estimulados pelos pais intencionalmente  ou não.


Concluo que tratar seus filhos de forma diferente seja de bom grado, não é tratar pessoas melhores ou piores, mas que o afeto não seja uma repetição inconsciente, mas sim, que ele seja personalizado para cada membro da família respeitando suas particularidades e que isso seja um dos  primeiros passos para que seus filho entenda a singularidade, mas sem perder de vista a importância do cooperativismo.


Tiago André Marques Malta

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segunda-feira, 22 de novembro de 2021

Aceite sua derrota


Aceite sua derrota


  É muito bom planejarmos, sonhamos com dias melhores, mas é preciso perseverar, ou seja, botar o que está no campo das ideias em ação, e é um cuidado que precisamos ter constantemente, afinal estou falando dos nossos projetos de vida, mas mesmo assim, muitas vezes, mesmo quando nos damos o nosso melhor, tudo dá errado, o que fazer então nesta hora?

 

Aceite as derrotas da sua vida, entenda, eu não estou falando aqui para você não correr atrás e dar o seu melhor. Eu estou falando, que, caso os planos que você tentou, lutou, sonhou derem errado, aceite, não seja um mau perdedor, aceite quanto tudo que você tentou, deu em nada e você fracassou, isso faz parte da jornada, pedras no caminho, tombos e topadas.

 

Pense nisso: Muitas vezes, é muito pior o que pode acontecer se você não aceitar a sua derrota, do que a própria derrota em si, ou seja é melhor o fracasso, um fracasso bem dado e consciente dos seus pontos negativos que precisam ser aprimorados, do que as consequências da revolta daquele que não aceita fracassar. E para dar um choque de realidade maior: muitas atrocidades são cometidas, quando não se aceitou que a derrota fazia parte da vida.

 

         A resignação é um processo importante, entender que nem sempre dá para ser o campeão ou o primeiro lugar, entender que não temos controle sobre muitos processos que ocorrem em nossa vida, por mais que tenhamos se preparado, a revolta será gasto de energia, então o que fazer?

 

         Aceitação é o primeiro passo, sente-se e beba uma água. Agora temos algumas opções. Começar tudo de novo do zero, lembrando que nem sempre começar de novo, quer dizer começar no mesmo lugar, você pode começar em outro lugar, quando (ou se for possível). Você também pode se aprimorar, ver o que você pode fazer de melhor para tentar superar os antigos erros, lembrando que novos erros e derrotas sempre podem aparecer. Ou simplesmente você pode partir para o plano B, a raposa da fábula de Esopo nos ensina que as uvas que não alcançamos estão sempre verdes.

 

E não se esqueça: divirta-se!

 

OBS: Este conteúdo não substitui o parecer profissional. Sempre consulte um profissional da saúde para tratar de assuntos relativos à saúde mental.

 

Tiago André Marques Malta

 

Rio de Janeiro, 15 de novembro de 2021


terça-feira, 23 de junho de 2020

Poema de Aceitação


Poema de Aceitação

Eu me amo,
Eu sou assim
Eu me aceito
Eu gosto de mim.

*Agora Repita Até fazer sentido

Tiago Malta - Rio de Janeiro,  09 de Junho de 2020

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

A Psicologia e a Esclerose Múltipla


A Psicologia e a Esclerose Múltipla

A Esclerose Múltipla é uma doença autoimune progressiva crônica, inflamatória e degenerativa, desencadeada por bactérias que imitam a estrutura molecular da mielina, fazendo com que o sistema imune ataque tanto a bactéria quanto a mielina normal. Ela está associada à deterioração irregular da bainha de mielina que circunda os neurônios na matéria branca do sistema nervoso central e é caracterizada por fraqueza muscular, especialmente nas pernas, dormência, tremor, dentre outros sintomas.

A Bainha de mielina é rica em lipídeos revestindo muitos axônios no sistema nervoso central como no periférico. Uma de suas funções é funcionar como um isolante elétrico, e isso auxilia para uma condução mais rápida dos impulsos sinápticos. Esta bainha é formada pelas membranas celulares das células da glia (células de Schwann no sistema nervoso periférico e oligodendróglia no sistema nervoso central).

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Resumo do Capítulo Cultura e Diversidade (O Que é Cultura?)



Existem duas concepções sobre Cultura: a primeira dessas concepções preocupa-se com todos os aspectos de cultura de uma realidade social.

“Assim, a resistência social de um povo ou nação, ou então de grupos no interior de uma sociedade. Podemos assim falar na cultura francesa ou na cultura xavante. Do mesmo modo falamos na cultura camponesa ou então na cultura dos antigos astecas. ”

Nesse caso, cultura refere-se à realidade sociais bem distintas. No entanto, o sentido em que se fala em cultura é o mesmo: em cada caso dar conta das características dos agrupamentos a que se refere, preocupando-se com a totalidade dessas características, digam elas a respeito às maneiras de conceber e organizar a vida social ou a seus aspectos materiais.

Cultura: É uma construção histórica, seja ela como concepção, seja como dimensão do processo social. Cultura não é uma decorrência de leis físicas ou biológicas, ela é um produto coletivo da vida humana. Cultura é a dimensão da sociedade que inclui todo o conhecimento num sentido ampliado e todos as maneiras com esse conhecimento é expresso. É uma dimensão dinâmica, criadora, ela é um processo, uma dimensão fundamental das sociedades contemporâneas.

Cultura é uma dimensão do processo social, da vida de uma sociedade. Não diz respeito apenas a um conjunto de práticas e concepções, como por exemplo se poderia dizer da arte. Não é apenas uma parte da vida social como por exemplo se poderia falar da religião. Não se pode dizer que cultura seja algo independente da vida social, algo que tenha a ver com a realidade onde existe. Percebida desta forma, cultura diz respeito aos aspectos da vida social, e não se pode dizer que ela exista em alguns contextos e não em outros.

O fato de que as tradições de uma cultura possam ser identificáveis não quer dizer que não se transformem, que não tenham sua dinâmica. Nada do que é cultura pode ser estanque, porque a cultura faz parte de uma realidade onde a mudança é um aspecto fundamental” (SANTOS, 1994, p.24).

Cultura é com frequência tratado como um resíduo, um conjunto de sobras, resultado da separação de aspectos tratados como mais importantes na vida social. O que sobra é chamado de cultura. É como se fosse eliminado da preocupação com cultura todos aspectos do conhecimento organizado tidos como mais relevantes para a lógica do sistema produtivo.


Essa maneira de tratar a cultura, é para nós ela mesma um tema de estudo, revela um modo pelo qual se atua sobre a dimensão cultural, indicando, no caso, um dos sentidos da atuação dos órgãos públicos, um sentido frequentemente fracionador da dimensão cultural, que trata de modo diferente a vários aspectos desta. Que fique então claro que para nós a cultura é a dimensão da sociedade que inclui todo o conhecimento num sentido ampliado e todas as maneiras como esse conhecimento é expresso. É uma dimensão dinâmica criadora, ela mesma em processo, uma dimensão fundamental das sociedades contemporâneas.

Raça e Etnia: Biologicamente, uma raça seria um grupo humano que se distingue dos outros por um conjunto de características físicas hereditárias. A divisão dos seres humanos em raças, no entanto, é completamente arbitrária. O problema principal é que as diferenças genéticas entre os seres humanos não são conformes. Dependendo do critério que se estabelece, a divisão em raças seria feita diferente. Mas isso não que as pessoas inventem raças escolhem qualquer traço que seja conveniente.

Etnia é o Grupo de indivíduos que pertencem a uma mesma cultura e que se reconhecem como tal. O problema principal é que as diferenças genéticas entre os seres humanos não são uniformes. Dependendo do critério genético que se escolhe, a divisão em “raças” seria de forma diferente.

Não existe nenhuma razão para escolher um traço genético em vez de outro para classificar os seres humanos. Como as divisões seriam diferentes segundo o critério que se usa. Não é possível considerar uma divisão como “certa”. Por isso muitos biólogos preferem não falar em termos de “raças” humanas, evitando até o uso deste conceito em pesquisa sobre outros animais. Seria muito mais produtivo pesquisar a variação genética examinando-se cada traço genético para verificar sua distribuição geográfica e os fatores que poderiam explicá-lo.

Diferença Genética e humana: embora fatores ambientais tenham influenciado a presença de diferentes genes em certas populações, fatores culturais podem também influir na composição genética de uma população.

O conceito social de Raça: em termos biológicos o conceito de “raça” não faz sentido, mas isto não impede que as pessoas inventem “raças”, escolhendo qualquer traço que seja conveniente. Não é de admirar então que povos diferentes imaginem as mais diferentes classificações “raciais”.

Características de Grupos étnicos: costuma identificar diferentes grupos étnicos segundo alguns critérios que consideramos fazer parte de sua cultura. As vezes as diferenças no comportamento destes grupos são surpreendentes. Outras formas de contato entre grupos étnicos diferentes poderiam também influir no seu comportamento.

Origem das identidades étnicas: Muitas pessoas pressupõem que identidade étnica dá-se automaticamente no momento de nascer, mas esta concepção é muito simplista. A identidade étnica de uma pessoa é determinada por vários fatores, tais como descendência, idioma, costumes, e a pessoa que está fazendo a identificação. A diferença de grupos étnicos como de grupos “raciais” pode ter origem na divisão de trabalho de uma dada sociedade. Mas existem também outros fatores que podem ser importantes.

Etnia e Classe: Uma das questões levantadas em discussões sobre etnia é a importância relativa da identidade étnica e da classe social. Tanto na vida privada quanto no lazer e no trabalho, as pessoas têm muito mais contato com pessoas da mesma classe social do que com pessoas do mesmo grupo étnico. Sabemos pouco sobre o porquê as pessoas enfatizarem a etnia ou a classe social em situações diferentes. Um fator importante talvez seja a questão do clientelismo. Em alguns lugares do mundo as pessoas de classes diferentes se misturam muito, pois os membros da classe alta não se sentem ameaçados econômica ou socialmente pelos pobres. Às vezes pode ser até importante que os pobres e os ricos mantenham contatos pessoais.

Etnocentrismo: Atitude dos membros de uma sociedade que reduzem todos os fenômenos sociais aqueles que conhece, ou que pensam ser a sua cultura melhor do que outras, é preferível a qualquer dela.

Relativismo Cultural: Cada realidade cultural tem sua lógica interna a qual devemos procurar conhecer para que façam sentido. Suas práticas, costumes, concepção e as transformações pelas quais estas passam. É preciso relacionar a variedade de procedimentos culturais com os contextos em que são produzidos.

Santos, José Luiz dos.  O que é cultura, 14ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1994

sexta-feira, 1 de junho de 2018

quinta-feira, 8 de março de 2018

Um causo sobre a Liberdade de Cátedra



            No dia 08 de março de 2001, no dia internacional da mulher, a Professora Doutora Debora Diniz foi convidada pela Escola Superior do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios para uma palestra sobre “Aborto e Moral”. A proposta era discutir a delicadeza moral do tema do aborto e suas implicações para o debate bioético e jurídico. Como antropóloga e pesquisadora da bioética, Debora desenvolveu uma sociologia do aborto no Brasil, pontuando as características do debate legislativo e a formação de comunidades morais, destacando as razões da permanência do tema do aborto como uma das questões-chave ao debate bioético. Aos debatedores cabia uma arguição dos argumentos sociológicos e éticos da Professora Debora, o que infelizmente não ocorreu.

            Professora de Bioética da Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Católica de Brasília (UCB) na época, Debora Diniz começou a sofrer constrangimentos sucessivos, com ameaças de demissão e, até mesmo, com seu remanejamento dentro da Pós-Graduação, onde foi impedida de lecionar Bioética, cabendo-lhe a tarefa de ministrar aulas sobre metodologia científica. Impossibilitada de lecionar a disciplina que consumiu toda a sua vida acadêmica, Debora continuou no departamento de psicologia da Universidade Católica de Brasília, onde também orientava alunos de mestrado. Lá, a professora podia trabalhar os temas da Bioética de maneira indireta.

            A resposta ao evento de março de 2001 veio dois meses depois. Sucumbindo às pressões que vinha sofrendo desde o ano passado, a UCB resolveu demitir Debora Diniz sumariamente, sem justa causa. Pesquisadora de renome internacional, detentora de currículo e titulação exemplares e com notório respeito na comunidade acadêmica nacional e internacional, Debora foi demitida poucos dias após receber o Prêmio Manuel Velasco-Suarez de Bioética, oferecido pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Recebeu, também, o Prêmio Leadership Bioethics Award, entregue pela International Network on Feminist Approaches to Bioethics, durante o VI Congresso Mundial de Bioética em outubro/novembro de 2002, ocasião em que Debora coordenou a IV Conferência Internacional da FAB.

            Desde a sua demissão, centenas de cartas e e-mails começaram a chegar, o que fez com que a ANIS: Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero, organização não-governamental sem fins lucrativos da qual Debora é uma das diretoras, criasse o e-mail Liberdade de Cátedra (liberdadecatedra@anis.org.br). As mensagens de manifesto continuam chegando desde então, e seus remetentes estão em todo o planeta: Estados Unidos, Reino Unido, Índia, Alasca, República Dominicana, Holanda, Dinamarca, Alemanha, Austrália, México, Argentina, Chile, África do Sul, Hungria, UNISINOS, Israel, França, Canadá, Itália, Portugal, Havaí, entre outros. Dentre as instituições do Terceiro Setor ou acadêmicas e/ou pesquisadores, professores e alunos que se pronunciaram, estão: Associação Brasileira de Antropologia, Fundação Oswaldo Cruz, University of Minnesota, Columbia University, Universidade de Brasília, Universidade Federal de Santa Catarina, USP, Unicamp, Ohio State University, Themis: Assessoria Jurídica e Estudos de Gênero, CFEMEA, Universidade de Lisboa, University of Toronto, IPEA, Católicas Pelo Direito de Decidir, Universidade Federal do Paraná, Albert Einstein College of Medicine, Senado Federal, Câmara dos Deputados, University of Pennsylvania Center for Bioethics, University of Edinburgh, University of Wollongong, Red Católicas por el Derecho a Decidir – America Latina, Universidade Federal Fluminense, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, San Francisco State University, International Network on Feminist Approaches to Bioethics, International Association of Bioethics, Universidade Federal do Espírito Santo, University of Califórnia, entre muitos outros.

            Poerém, uma importante instituição se juntou ao movimento internacional pela Liberdade de Cátedra. Recentemente, a American Association for the Advancement of Science, que edita a revista Science, apoiou a causa e coordenou um trabalho de conscientização em todo o mundo, orientando as pessoas a manifestarem seu repúdio e protesto enviando cartas ao ministro Paulo Renato de Souza, ao ministro da Justiça, Paulo de Tarso, e ao embaixador do Brasil em Washington, Rubens Barbosa. Além disso, o Comitê de Direitos Humanos e Liberdade de Cátedra da Associação de Estudos Latino-Americanos (LASA) manifestou, também, seu repúdio à demissão de Debora Diniz.

            As manifestações contrárias à demissão da pesquisadora demonstram o cenário de um Brasil que ainda precisa discutir e respeitar a liberdade de cátedra (liberdade acadêmica), que assegura a liberdade de aprender, a liberdade de ensinar e a liberdade de pesquisar. Como se pôde notar, a maioria das mensagens. Esta constatação não foi uma surpresa para os defensores do movimento. A liberdade de expressão no Brasil ainda sofre com as pressões políticas, ideológicas ou religiosas, e, dentro das universidades brasileiras.

Para saber mais:
http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT757558-1666-1,00.html

Fonte da Imagem:  
HonestReporting - https://www.flickr.com/photos/honestreporting/15423478806

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Comportamento Alimentar (Fome de Tudo?)




Neste livro, compartilho com você uma análise sobre como a evolução, a cultura e a psicologia moldam nossos hábitos alimentares. Através de pesquisas científicas e insights práticos, você poderá entender os fatores que influenciam suas escolhas alimentares e encontrar estratégias para uma alimentação mais equilibrada e consciente. Convido você a explorar esta obra e descobrir como pequenas mudanças podem fazer uma grande diferença na sua relação com a comida.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Resenha para o texto Recordar, repetir e elaborar (Novas recomendações sobre a técnica da psicanálise)


Freud inicia este texto sobre como houve alterações das técnicas psicanalíticas desde Josef Breuer até agora: desde Breuer e a catarse, a passagem da hipnose para o uso da associação livre, até o desenvolvimento sistêmico onde “abandona a tentativa de colocar em foco um momento ou problema específicos. Contenta -se em estudar tudo o que se acha presente de momento na superfície da mente do paciente, e emprega  a arte da interpretação principalmente para identificar as resistências que lá aparecem, e torna-las conscientes ao paciente”. Assim pode se revelar ao paciente as resistências que são para ele desconhecidas. Mas o objetivo desta técnica (como nas anteriores é “preencher lacunas da memória ...é superar resistências devidas à repressão.”

O autor fala sobre como foi importante a técnica da hipnose para a abertura para “processos psíquicos únicos dentro da análise” além de ter permitido a evolução da técnica. “Em certos casos, tive a impressão de que a conhecida amnésia infantil, que teoricamente nos é tão importante, é completamente contrabalanceada pelas lembranças encobridoras. Não apenas algo, mas a totalidade do que é essencial na infância foi retido nessas lembranças. Trata-se simplesmente de saber extraí-lo pela análise.”

As fantasias e os demais processos internos devem ser visto a parte de recordar e elaborar; já que “nestes processos, acontece com extraordinária frequência ser recordado algo que nunca poderia ter sido 'esquecida', porque nunca foi, em ocasião alguma notado – nunca foi consciente”. Assim o que o paciente assimila durante a análise é independente destas lembranças.

O paciente não recorda coisa alguma do que esqueceu e reprimiu mas expressa-o pela atuação ou atua-o... Ele o reproduz não como lembrança mas como ação; repete-o, sem, naturalmente saber o que está repetindo”.

Freud afirma que o começo do tratamento de um paciente é por uma repetição. “Enquanto o paciente se acha em tratamento, não pode fugir a esta compulsão à repetição; e, no final, compreendemos que esta é a sua maneira de recordar.” Mas o que interessa neste processo é a relação desta compulsão à repetição com a transferência e com a resistência. Por isso podemos afirmar que a transferência é apenas um fragmento da repetição, não só para o analista mas para todo o presente deste paciente.

“Se o paciente começa o tratamento sob os auspícios de uma transferência positiva branda e impronunciada, ela lhe torna possível, de início, desenterrar suas lembranças tal como faria sob hipnose, e, durante este tempo, seus próprios sintomas patológicos acham-se inativos. Mas se à medida que a análise progride, a transferência se torna hostil ou excessivamente intensa e, portanto, precisando de repressão, o recordar imediatamente abre caminho a atuação...as resistências determinam a sequência do material que deve ser repetido”.

Por isso hoje se entende que ao invés de recordar o paciente repete para poder resistir. “Devemos tratar a sua doença não como um acontecimento do passado, mas como uma força atual”, já que o paciente sofre e age a partir destas experiências reprimidas (“o paciente a experiência como algo contemporâneo ”)
“O repetir tal como é induzido, segundo a técnica mais recente, implica, por outro lado, evocar um fragmento da vida real; e, por essa razão não pode ser sempre inócua e irrepreensível”.

O autor afirma que o início do tratamento já é uma mudança em atitude frente à doença. Já que o paciente cria coragem para dar atenção aos seus problemas e buscar ajuda e a cura para eles. Então está tomada de consciência é vital para o início do processo terapêutico. “Não se pode vencer um inimigo ausente ou fora de alcance”.

“No curso do tratamento, novos e mais profundos impulsos instintuais, que até então não e haviam feito sentir, podem vir a ser repetidos.”

“Todavia, o instrumento principal para reprimir a compulsão do paciente à repetição e transformá-la num motivo para recordar reside no manejo da transferência. Tornamos a compulsão inócua, e na verdade útil, concedendo-lhe o direito de afirmar num campo definido... alcançamos normalmente sucesso em fornecer a todos os sintomas da moléstia um novo significado transferencial e em substituir sua neurose comum por uma ' neurose de transferência', da qual pode ser curado pelo processo terapêutico... a partir das reações repetitivas exibidas na transferência, somos levados ao longo dos caminhos familiares até o despertar das lembranças, que aparecem sem dificuldade, por assim dizer, após a resistência ter sido superada.”

A última etapa é dar ao paciente tempo para conhecer melhor estas resistências, se familiarizar, de modo a poder elaborá-la e só assim poder superá-la. Por isso o analista neste estágio nada tem a fazer se não esperar pacientemente. Esperar a superação deste estágio árduo na vida de seu paciente.

Humildemente Tiago André Marques Malta