segunda-feira, 9 de julho de 2018

Resumo do Capítulo Cultura e Diversidade (O Que é Cultura?)



Existem duas concepções sobre Cultura: a primeira dessas concepções preocupa-se com todos os aspectos de cultura de uma realidade social.

“Assim, a resistência social de um povo ou nação, ou então de grupos no interior de uma sociedade. Podemos assim falar na cultura francesa ou na cultura xavante. Do mesmo modo falamos na cultura camponesa ou então na cultura dos antigos astecas. ”

Nesse caso, cultura refere-se à realidade sociais bem distintas. No entanto, o sentido em que se fala em cultura é o mesmo: em cada caso dar conta das características dos agrupamentos a que se refere, preocupando-se com a totalidade dessas características, digam elas a respeito às maneiras de conceber e organizar a vida social ou a seus aspectos materiais.

Cultura: É uma construção histórica, seja ela como concepção, seja como dimensão do processo social. Cultura não é uma decorrência de leis físicas ou biológicas, ela é um produto coletivo da vida humana. Cultura é a dimensão da sociedade que inclui todo o conhecimento num sentido ampliado e todos as maneiras com esse conhecimento é expresso. É uma dimensão dinâmica, criadora, ela é um processo, uma dimensão fundamental das sociedades contemporâneas.

Cultura é uma dimensão do processo social, da vida de uma sociedade. Não diz respeito apenas a um conjunto de práticas e concepções, como por exemplo se poderia dizer da arte. Não é apenas uma parte da vida social como por exemplo se poderia falar da religião. Não se pode dizer que cultura seja algo independente da vida social, algo que tenha a ver com a realidade onde existe. Percebida desta forma, cultura diz respeito aos aspectos da vida social, e não se pode dizer que ela exista em alguns contextos e não em outros.

O fato de que as tradições de uma cultura possam ser identificáveis não quer dizer que não se transformem, que não tenham sua dinâmica. Nada do que é cultura pode ser estanque, porque a cultura faz parte de uma realidade onde a mudança é um aspecto fundamental” (SANTOS, 1994, p.24).

Cultura é com frequência tratado como um resíduo, um conjunto de sobras, resultado da separação de aspectos tratados como mais importantes na vida social. O que sobra é chamado de cultura. É como se fosse eliminado da preocupação com cultura todos aspectos do conhecimento organizado tidos como mais relevantes para a lógica do sistema produtivo.

Essa maneira de tratar a cultura, é para nós ela mesma um tema de estudo, revela um modo pelo qual se atua sobre a dimensão cultural, indicando, no caso, um dos sentidos da atuação dos órgãos públicos, um sentido frequentemente fracionador da dimensão cultural, que trata de modo diferente a vários aspectos desta. Que fique então claro que para nós a cultura é a dimensão da sociedade que inclui todo o conhecimento num sentido ampliado e todas as maneiras como esse conhecimento é expresso. É uma dimensão dinâmica criadora, ela mesma em processo, uma dimensão fundamental das sociedades contemporâneas.

Raça e Etnia: Biologicamente, uma raça seria um grupo humano que se distingue dos outros por um conjunto de características físicas hereditárias. A divisão dos seres humanos em raças, no entanto, é completamente arbitrária. O problema principal é que as diferenças genéticas entre os seres humanos não são conformes. Dependendo do critério que se estabelece, a divisão em raças seria feita diferente. Mas isso não que as pessoas inventem raças escolhem qualquer traço que seja conveniente.

Etnia é o Grupo de indivíduos que pertencem a uma mesma cultura e que se reconhecem como tal. O problema principal é que as diferenças genéticas entre os seres humanos não são uniformes. Dependendo do critério genético que se escolhe, a divisão em “raças” seria de forma diferente.

Não existe nenhuma razão para escolher um traço genético em vez de outro para classificar os seres humanos. Como as divisões seriam diferentes segundo o critério que se usa. Não é possível considerar uma divisão como “certa”. Por isso muitos biólogos preferem não falar em termos de “raças” humanas, evitando até o uso deste conceito em pesquisa sobre outros animais. Seria muito mais produtivo pesquisar a variação genética examinando-se cada traço genético para verificar sua distribuição geográfica e os fatores que poderiam explicá-lo.

Diferença Genética e humana: embora fatores ambientais tenham influenciado a presença de diferentes genes em certas populações, fatores culturais podem também influir na composição genética de uma população.

O conceito social de Raça: em termos biológicos o conceito de “raça” não faz sentido, mas isto não impede que as pessoas inventem “raças”, escolhendo qualquer traço que seja conveniente. Não é de admirar então que povos diferentes imaginem as mais diferentes classificações “raciais”.

Características de Grupos étnicos: costuma identificar diferentes grupos étnicos segundo alguns critérios que consideramos fazer parte de sua cultura. As vezes as diferenças no comportamento destes grupos são surpreendentes. Outras formas de contato entre grupos étnicos diferentes poderiam também influir no seu comportamento.

Origem das identidades étnicas: Muitas pessoas pressupõem que identidade étnica dá-se automaticamente no momento de nascer, mas esta concepção é muito simplista. A identidade étnica de uma pessoa é determinada por vários fatores, tais como descendência, idioma, costumes, e a pessoa que está fazendo a identificação. A diferença de grupos étnicos como de grupos “raciais” pode ter origem na divisão de trabalho de uma dada sociedade. Mas existem também outros fatores que podem ser importantes.

Etnia e Classe: Uma das questões levantadas em discussões sobre etnia é a importância relativa da identidade étnica e da classe social. Tanto na vida privada quanto no lazer e no trabalho, as pessoas têm muito mais contato com pessoas da mesma classe social do que com pessoas do mesmo grupo étnico. Sabemos pouco sobre o porquê as pessoas enfatizarem a etnia ou a classe social em situações diferentes. Um fator importante talvez seja a questão do clientelismo. Em alguns lugares do mundo as pessoas de classes diferentes se misturam muito, pois os membros da classe alta não se sentem ameaçados econômica ou socialmente pelos pobres. Às vezes pode ser até importante que os pobres e os ricos mantenham contatos pessoais.

Etnocentrismo: Atitude dos membros de uma sociedade que reduzem todos os fenômenos sociais aqueles que conhece, ou que pensam ser a sua cultura melhor do que outras, é preferível a qualquer dela.

Relativismo Cultural: Cada realidade cultural tem sua lógica interna a qual devemos procurar conhecer para que façam sentido. Suas práticas, costumes, concepção e as transformações pelas quais estas passam. É preciso relacionar a variedade de procedimentos culturais com os contextos em que são produzidos.

Santos, José Luiz dos.  O que é cultura, 14ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1994





sexta-feira, 22 de junho de 2018

Meu artigo na Revista E-PSICOS (Edição 4)



Artigo na Revista E-PSICOS (Edição 4)


Saiu um artigo meu na Revista E-Psicos, está revista é organizada pela galera do Psicocast. Escrevi sobre paternidade com o título "Agendas escolares e outros lugares de Esquecimento". E por essa motivação que recebi começarei escrever sistemáticamente artigos e ensaios sobre  a paternidade.

Para Baixar a revista clique Aqui:
https://gallery.mailchimp.com/62c5b991d21fa605473936c63/files/0024cb9a-6d19-4206-973d-ffbd2e010df5/E_Psicos_Junho_2018.pdf


sexta-feira, 1 de junho de 2018

quinta-feira, 8 de março de 2018

Um causo sobre a Liberdade de Cátedra



            No dia 08 de março de 2001, no dia internacional da mulher, a Professora Doutora Debora Diniz foi convidada pela Escola Superior do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios para uma palestra sobre “Aborto e Moral”. A proposta era discutir a delicadeza moral do tema do aborto e suas implicações para o debate bioético e jurídico. Como antropóloga e pesquisadora da bioética, Debora desenvolveu uma sociologia do aborto no Brasil, pontuando as características do debate legislativo e a formação de comunidades morais, destacando as razões da permanência do tema do aborto como uma das questões-chave ao debate bioético. Aos debatedores cabia uma arguição dos argumentos sociológicos e éticos da Professora Debora, o que infelizmente não ocorreu.

            Professora de Bioética da Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Católica de Brasília (UCB) na época, Debora Diniz começou a sofrer constrangimentos sucessivos, com ameaças de demissão e, até mesmo, com seu remanejamento dentro da Pós-Graduação, onde foi impedida de lecionar Bioética, cabendo-lhe a tarefa de ministrar aulas sobre metodologia científica. Impossibilitada de lecionar a disciplina que consumiu toda a sua vida acadêmica, Debora continuou no departamento de psicologia da Universidade Católica de Brasília, onde também orientava alunos de mestrado. Lá, a professora podia trabalhar os temas da Bioética de maneira indireta.

            A resposta ao evento de março de 2001 veio dois meses depois. Sucumbindo às pressões que vinha sofrendo desde o ano passado, a UCB resolveu demitir Debora Diniz sumariamente, sem justa causa. Pesquisadora de renome internacional, detentora de currículo e titulação exemplares e com notório respeito na comunidade acadêmica nacional e internacional, Debora foi demitida poucos dias após receber o Prêmio Manuel Velasco-Suarez de Bioética, oferecido pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Recebeu, também, o Prêmio Leadership Bioethics Award, entregue pela International Network on Feminist Approaches to Bioethics, durante o VI Congresso Mundial de Bioética em outubro/novembro de 2002, ocasião em que Debora coordenou a IV Conferência Internacional da FAB.

            Desde a sua demissão, centenas de cartas e e-mails começaram a chegar, o que fez com que a ANIS: Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero, organização não-governamental sem fins lucrativos da qual Debora é uma das diretoras, criasse o e-mail Liberdade de Cátedra (liberdadecatedra@anis.org.br). As mensagens de manifesto continuam chegando desde então, e seus remetentes estão em todo o planeta: Estados Unidos, Reino Unido, Índia, Alasca, República Dominicana, Holanda, Dinamarca, Alemanha, Austrália, México, Argentina, Chile, África do Sul, Hungria, UNISINOS, Israel, França, Canadá, Itália, Portugal, Havaí, entre outros. Dentre as instituições do Terceiro Setor ou acadêmicas e/ou pesquisadores, professores e alunos que se pronunciaram, estão: Associação Brasileira de Antropologia, Fundação Oswaldo Cruz, University of Minnesota, Columbia University, Universidade de Brasília, Universidade Federal de Santa Catarina, USP, Unicamp, Ohio State University, Themis: Assessoria Jurídica e Estudos de Gênero, CFEMEA, Universidade de Lisboa, University of Toronto, IPEA, Católicas Pelo Direito de Decidir, Universidade Federal do Paraná, Albert Einstein College of Medicine, Senado Federal, Câmara dos Deputados, University of Pennsylvania Center for Bioethics, University of Edinburgh, University of Wollongong, Red Católicas por el Derecho a Decidir – America Latina, Universidade Federal Fluminense, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, San Francisco State University, International Network on Feminist Approaches to Bioethics, International Association of Bioethics, Universidade Federal do Espírito Santo, University of Califórnia, entre muitos outros.

            Poerém, uma importante instituição se juntou ao movimento internacional pela Liberdade de Cátedra. Recentemente, a American Association for the Advancement of Science, que edita a revista Science, apoiou a causa e coordenou um trabalho de conscientização em todo o mundo, orientando as pessoas a manifestarem seu repúdio e protesto enviando cartas ao ministro Paulo Renato de Souza, ao ministro da Justiça, Paulo de Tarso, e ao embaixador do Brasil em Washington, Rubens Barbosa. Além disso, o Comitê de Direitos Humanos e Liberdade de Cátedra da Associação de Estudos Latino-Americanos (LASA) manifestou, também, seu repúdio à demissão de Debora Diniz.

            As manifestações contrárias à demissão da pesquisadora demonstram o cenário de um Brasil que ainda precisa discutir e respeitar a liberdade de cátedra (liberdade acadêmica), que assegura a liberdade de aprender, a liberdade de ensinar e a liberdade de pesquisar. Como se pôde notar, a maioria das mensagens. Esta constatação não foi uma surpresa para os defensores do movimento. A liberdade de expressão no Brasil ainda sofre com as pressões políticas, ideológicas ou religiosas, e, dentro das universidades brasileiras.

Para saber mais:
http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT757558-1666-1,00.html

Fonte da Imagem:  
HonestReporting - https://www.flickr.com/photos/honestreporting/15423478806

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

As Funções do Sistema Tegumentar: (Sobre o olhar de um Psicólogo)




As Funções do Sistema Tegumentar: (Sobre o olhar de um Psicólogo)


A pele é a Fronteira de Contato mais tangível que poderemos descrever por isso devemos entende-la a luz da fisiologia, para compreender por que ela é tão importante na pratica clínica.

The skin is the most tangible frontier of contact we can describe, so we must understand it in the light of physiology, to understand why it is so important in clinical practice.





segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Comportamento Alimentar (Fome de Tudo?)

Comportamento Alimentar (Fome de Tudo?)

O presente ensaio tem por objetivo apresentar como nosso comportamento alimentar é moldado em nossa sociedade, visto que nós somos aquilo que comemos, e aquilo que comemos está ligado diretamente a nossa evolução.