sexta-feira, 1 de junho de 2018

quinta-feira, 8 de março de 2018

Um causo sobre a Liberdade de Cátedra



            No dia 08 de março de 2001, no dia internacional da mulher, a Professora Doutora Debora Diniz foi convidada pela Escola Superior do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios para uma palestra sobre “Aborto e Moral”. A proposta era discutir a delicadeza moral do tema do aborto e suas implicações para o debate bioético e jurídico. Como antropóloga e pesquisadora da bioética, Debora desenvolveu uma sociologia do aborto no Brasil, pontuando as características do debate legislativo e a formação de comunidades morais, destacando as razões da permanência do tema do aborto como uma das questões-chave ao debate bioético. Aos debatedores cabia uma arguição dos argumentos sociológicos e éticos da Professora Debora, o que infelizmente não ocorreu.

            Professora de Bioética da Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Católica de Brasília (UCB) na época, Debora Diniz começou a sofrer constrangimentos sucessivos, com ameaças de demissão e, até mesmo, com seu remanejamento dentro da Pós-Graduação, onde foi impedida de lecionar Bioética, cabendo-lhe a tarefa de ministrar aulas sobre metodologia científica. Impossibilitada de lecionar a disciplina que consumiu toda a sua vida acadêmica, Debora continuou no departamento de psicologia da Universidade Católica de Brasília, onde também orientava alunos de mestrado. Lá, a professora podia trabalhar os temas da Bioética de maneira indireta.

            A resposta ao evento de março de 2001 veio dois meses depois. Sucumbindo às pressões que vinha sofrendo desde o ano passado, a UCB resolveu demitir Debora Diniz sumariamente, sem justa causa. Pesquisadora de renome internacional, detentora de currículo e titulação exemplares e com notório respeito na comunidade acadêmica nacional e internacional, Debora foi demitida poucos dias após receber o Prêmio Manuel Velasco-Suarez de Bioética, oferecido pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Recebeu, também, o Prêmio Leadership Bioethics Award, entregue pela International Network on Feminist Approaches to Bioethics, durante o VI Congresso Mundial de Bioética em outubro/novembro de 2002, ocasião em que Debora coordenou a IV Conferência Internacional da FAB.

            Desde a sua demissão, centenas de cartas e e-mails começaram a chegar, o que fez com que a ANIS: Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero, organização não-governamental sem fins lucrativos da qual Debora é uma das diretoras, criasse o e-mail Liberdade de Cátedra (liberdadecatedra@anis.org.br). As mensagens de manifesto continuam chegando desde então, e seus remetentes estão em todo o planeta: Estados Unidos, Reino Unido, Índia, Alasca, República Dominicana, Holanda, Dinamarca, Alemanha, Austrália, México, Argentina, Chile, África do Sul, Hungria, UNISINOS, Israel, França, Canadá, Itália, Portugal, Havaí, entre outros. Dentre as instituições do Terceiro Setor ou acadêmicas e/ou pesquisadores, professores e alunos que se pronunciaram, estão: Associação Brasileira de Antropologia, Fundação Oswaldo Cruz, University of Minnesota, Columbia University, Universidade de Brasília, Universidade Federal de Santa Catarina, USP, Unicamp, Ohio State University, Themis: Assessoria Jurídica e Estudos de Gênero, CFEMEA, Universidade de Lisboa, University of Toronto, IPEA, Católicas Pelo Direito de Decidir, Universidade Federal do Paraná, Albert Einstein College of Medicine, Senado Federal, Câmara dos Deputados, University of Pennsylvania Center for Bioethics, University of Edinburgh, University of Wollongong, Red Católicas por el Derecho a Decidir – America Latina, Universidade Federal Fluminense, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, San Francisco State University, International Network on Feminist Approaches to Bioethics, International Association of Bioethics, Universidade Federal do Espírito Santo, University of Califórnia, entre muitos outros.

            Poerém, uma importante instituição se juntou ao movimento internacional pela Liberdade de Cátedra. Recentemente, a American Association for the Advancement of Science, que edita a revista Science, apoiou a causa e coordenou um trabalho de conscientização em todo o mundo, orientando as pessoas a manifestarem seu repúdio e protesto enviando cartas ao ministro Paulo Renato de Souza, ao ministro da Justiça, Paulo de Tarso, e ao embaixador do Brasil em Washington, Rubens Barbosa. Além disso, o Comitê de Direitos Humanos e Liberdade de Cátedra da Associação de Estudos Latino-Americanos (LASA) manifestou, também, seu repúdio à demissão de Debora Diniz.

            As manifestações contrárias à demissão da pesquisadora demonstram o cenário de um Brasil que ainda precisa discutir e respeitar a liberdade de cátedra (liberdade acadêmica), que assegura a liberdade de aprender, a liberdade de ensinar e a liberdade de pesquisar. Como se pôde notar, a maioria das mensagens. Esta constatação não foi uma surpresa para os defensores do movimento. A liberdade de expressão no Brasil ainda sofre com as pressões políticas, ideológicas ou religiosas, e, dentro das universidades brasileiras.

Para saber mais:
http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT757558-1666-1,00.html

Fonte da Imagem:  
HonestReporting - https://www.flickr.com/photos/honestreporting/15423478806

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

As Funções do Sistema Tegumentar: (Sobre o olhar de um Psicólogo)




As Funções do Sistema Tegumentar: (Sobre o olhar de um Psicólogo)


A pele é a Fronteira de Contato mais tangível que poderemos descrever por isso devemos entende-la a luz da fisiologia, para compreender por que ela é tão importante na pratica clínica.

The skin is the most tangible frontier of contact we can describe, so we must understand it in the light of physiology, to understand why it is so important in clinical practice.





segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Comportamento Alimentar (Fome de Tudo?)

Comportamento Alimentar (Fome de Tudo?)

O presente ensaio tem por objetivo apresentar como nosso comportamento alimentar é moldado em nossa sociedade, visto que nós somos aquilo que comemos, e aquilo que comemos está ligado diretamente a nossa evolução. 










terça-feira, 10 de outubro de 2017

Atendimento Psicoterápico



Atendimento Psicoterápico - Av. Maria Teresa, 260 - Campo Grande, Rio de Janeiro - Plaza Office, Bloco 3, Sala 202 (em frente ao Supermercado Extra).


Atendimento Individual (Crianças, Adolescentes e Adultos). 
Além de psicoterapia em casa (Home Care) e Clinica Nômade (em praças e outros lugares públicos) em toda Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

Contatos: 99420-5918 (claro e whatsapp) ou tiagomaltapsi@gmail.com

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Resenha para o texto Recordar, repetir e elaborar (Novas recomendações sobre a técnica da psicanálise)


Freud inicia este texto sobre como houve alterações das técnicas psicanalíticas desde Josef Breuer até agora: desde Breuer e a catarse, a passagem da hipnose para o uso da associação livre, até o desenvolvimento sistêmico onde “abandona a tentativa de colocar em foco um momento ou problema específicos. Contenta -se em estudar tudo o que se acha presente de momento na superfície da mente do paciente, e emprega  a arte da interpretação principalmente para identificar as resistências que lá aparecem, e torna-las conscientes ao paciente”. Assim pode se revelar ao paciente as resistências que são para ele desconhecidas. Mas o objetivo desta técnica (como nas anteriores é “preencher lacunas da memória ...é superar resistências devidas à repressão.”

O autor fala sobre como foi importante a técnica da hipnose para a abertura para “processos psíquicos únicos dentro da análise” além de ter permitido a evolução da técnica. “Em certos casos, tive a impressão de que a conhecida amnésia infantil, que teoricamente nos é tão importante, é completamente contrabalanceada pelas lembranças encobridoras. Não apenas algo, mas a totalidade do que é essencial na infância foi retido nessas lembranças. Trata-se simplesmente de saber extraí-lo pela análise.”

As fantasias e os demais processos internos devem ser visto a parte de recordar e elaborar; já que “nestes processos, acontece com extraordinária frequência ser recordado algo que nunca poderia ter sido 'esquecida', porque nunca foi, em ocasião alguma notado – nunca foi consciente”. Assim o que o paciente assimila durante a análise é independente destas lembranças.

O paciente não recorda coisa alguma do que esqueceu e reprimiu mas expressa-o pela atuação ou atua-o... Ele o reproduz não como lembrança mas como ação; repete-o, sem, naturalmente saber o que está repetindo”.

Freud afirma que o começo do tratamento de um paciente é por uma repetição. “Enquanto o paciente se acha em tratamento, não pode fugir a esta compulsão à repetição; e, no final, compreendemos que esta é a sua maneira de recordar.” Mas o que interessa neste processo é a relação desta compulsão à repetição com a transferência e com a resistência. Por isso podemos afirmar que a transferência é apenas um fragmento da repetição, não só para o analista mas para todo o presente deste paciente.

“Se o paciente começa o tratamento sob os auspícios de uma transferência positiva branda e impronunciada, ela lhe torna possível, de início, desenterrar suas lembranças tal como faria sob hipnose, e, durante este tempo, seus próprios sintomas patológicos acham-se inativos. Mas se à medida que a análise progride, a transferência se torna hostil ou excessivamente intensa e, portanto, precisando de repressão, o recordar imediatamente abre caminho a atuação...as resistências determinam a sequência do material que deve ser repetido”.

Por isso hoje se entende que ao invés de recordar o paciente repete para poder resistir. “Devemos tratar a sua doença não como um acontecimento do passado, mas como uma força atual”, já que o paciente sofre e age a partir destas experiências reprimidas (“o paciente a experiência como algo contemporâneo ”)
“O repetir tal como é induzido, segundo a técnica mais recente, implica, por outro lado, evocar um fragmento da vida real; e, por essa razão não pode ser sempre inócua e irrepreensível”.

O autor afirma que o início do tratamento já é uma mudança em atitude frente à doença. Já que o paciente cria coragem para dar atenção aos seus problemas e buscar ajuda e a cura para eles. Então está tomada de consciência é vital para o início do processo terapêutico. “Não se pode vencer um inimigo ausente ou fora de alcance”.

“No curso do tratamento, novos e mais profundos impulsos instintuais, que até então não e haviam feito sentir, podem vir a ser repetidos.”

“Todavia, o instrumento principal para reprimir a compulsão do paciente à repetição e transformá-la num motivo para recordar reside no manejo da transferência. Tornamos a compulsão inócua, e na verdade útil, concedendo-lhe o direito de afirmar num campo definido... alcançamos normalmente sucesso em fornecer a todos os sintomas da moléstia um novo significado transferencial e em substituir sua neurose comum por uma ' neurose de transferência', da qual pode ser curado pelo processo terapêutico... a partir das reações repetitivas exibidas na transferência, somos levados ao longo dos caminhos familiares até o despertar das lembranças, que aparecem sem dificuldade, por assim dizer, após a resistência ter sido superada.”

A última etapa é dar ao paciente tempo para conhecer melhor estas resistências, se familiarizar, de modo a poder elaborá-la e só assim poder superá-la. Por isso o analista neste estágio nada tem a fazer se não esperar pacientemente. Esperar a superação deste estágio árduo na vida de seu paciente.

Humildemente Tiago André Marques Malta