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terça-feira, 9 de setembro de 2014

Carta aos Diretores de Asilos de Loucos

Senhores:

As leis, os costumes, concedem-lhes o direito de medir o espirito. Esta jurisdição soberana e terrível, vocês a exercem segundo seus próprios padrões de entendimento.

Não nos façam rir. A credualidade dos povos civilizados, dos especialistas, dos governantes, reveste a psiquiatria de inexplicáveis luzes sobrenaturais. A profissão que vocês exercem esta julgada de antemão. Não pensamos em discutir aqui o valor dessa ciência, nem a duvidosa existência das doenças mentais. Porém para cada cem pretendidas patogenias, onde se desencadeia a confusão da matéria e do espirito, para cada cem classificações, onde as mais vagas são também as únicas utilizáveis, quantas tentativas nobres se contam para conseguir melhor compreensão do mundo irreal onde vivem aqueles que vocês encarceraram?

Quantos de vocês, por exemplo, consideram que o sonho do demente precoce ou as imagens que o perseguem são algo mais que uma salada de palavras? Não nos surpreende ver até que ponto vocês estão empenhados em uma tarefa para a qual só existe muito poucos predestinados. Porém não nos rebelamos contra o direito concedido a certos homens - capazes ou não - de dar por terminadas suas investigações no campo do espirito com um veredicto de encarceramento perpétuo.

E que encerramento! Sabe-se - nunca se saberá o suficiente - que os asilos, longe de ser "asilos", são cárceres horríveis onde os reclusos fornecem mão-de-obra gratuita e cômoda, e onde a brutalidade è norma. E vocês toleram tudo isso. O hospício de alienados, sob o amparo da ciência e da justiça, è comparável aos quartéis, aos cárceres, as penitenciarias. Não nos referimos aqui as internações arbitrárias, para lhes evitar o incomodo de um fácil desmentido. Afirmamos que grande parte de seus internados - completamente loucos segundo a definição oficial - estão também reclusos arbitrariamente. E não podemos admitir que se impeça o livre desenvolvimento de um delírio, tão legitimo e lógico como qualquer outra serie de idéias e atos humanos. A repressão das reações anti-sociais, em principio, è tão quimérica como inaceitável. Todos os atos individuais são anti-sociais. Os loucos são as vitimas individuais por excelência da ditadura social. E em nome dessa individualidade, que è patrimônio do homem, reclamamos a liberdade desses forcados das galés da sensibilidade, já que não se está dentro das faculdades da lei condenar à prisão a todos que pensam e trabalham. Sem insistir no caráter verdadeiramente genial das manifestações de certos loucos, na medida de nossa capacidade para avalià-las, afirmamos a legitimidade absoluta de sua concepção da realidade e de todos os atos que dela derivam.

Esperamos que amanha de manha, na hora da visita medica, recordem isto, quando tratarem de conversar sem dicionário com esses homens sobre os quais - reconheçam - só tem a superioridade da forca.

ARTAUD, Antonin. Cartas aos Poderes. Porto Alegre: Editorial Villa
Martha, 1979. (Coleção Surrealistas - Vol. 1)

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Manifesto da Slow Science‏



O movimento Slow Science defende o direito de cientistas fugirem da corrida pelo grande número de publicações e priorizarem qualidade da pesquisa. Sabine Righetti (Folha de S. Paulo, 08/08/11) noticiou que um movimento que começou na Alemanha está ganhando, aos poucos, os acadêmicos. A ebulição é espontânea:mais tempo para os cientistas fazerem pesquisa.. Quando docentes são pressionados a se dedicar, em simultâneo, à massificação do ensino superior e à produção seriada depapers, evidentemente, predomina a quantidade e não a qualidade do trabalho.

Quem encabeça a ideia é a organização Slow Science, criada por cientistas gabaritados da Alemanha. Aderir ao movimento significa não se render à produção desenfreada de artigos em revistas especializadas, apenas para contar muitos pontos nos sistemas de avaliação de produção científica.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Nota de repúdio do Conselho Federal de Psicologia


O Conselho Federal de Psicologia (CFP) manifesta publicamente seu repúdio às declarações do pastor Silas Malafaia feitas no último domingo (3/2), durante um programa de entrevistas exibido pelo SBT. Em sua participação, o pastor evangélico agrediu a perspectiva dos Direitos Humanos a uma cultura de paz e de uma sociedade que contemple a diversidade e o respeito à livre orientação – objetos da atuação da Psicologia, que se pauta na defesa da subjetividade das identidades.

As declarações de Malafaia, que é graduado em Psicologia, afrontam a construção das lutas da categoria ao longo dos anos pela defesa da diversidade. É lamentável que exista um profissional que defenda uma posição de retrocesso que chega a ser quase inquisitório, colocando como vertentes do seu pensamento a exclusão e o preconceito na leitura dos Direitos Humanos.

Ao alegar que a homossexualidade é uma questão de comportamento, o pastor se mostra contrário às bandeiras levantadas pela Psicologia, especialmente no que tange a Resolução CFP nº 001/99, estabelece normas de conduta profissional para o psicólogo na abordagem da orientação sexual, visando garantir um posicionamento de acordo com os preceitos éticos da profissão e a fiel observância à promoção dos direitos humanos. Considera que a homossexualidade não constitui doença, desvio ou perversão, posto que diferentes modos de exercício da sexualidade fazem parte das possibilidades de existência humana.

O dispositivo busca contribuir para o desaparecimento das discriminações em torno de práticas homoeróticas e proíbe as psicólogas (os) de proporem qualquer tratamento ou ação a favor de uma ‘cura’, ou seja, práticas de patologização da homossexualidade. Infelizmente, nada disso soa em consonância com o discurso de Silas Malafaia.

A Resolução declara, ainda, que é um princípio da (o) psicóloga (o) o respeito à livre orientação sexual dos indivíduos e o apoio à elaboração de formas de enfrentamento no lidar com as realidades sociais de maneira integrada. É dever do profissional de Psicologia fornecer subsídios que levem à felicidade e o bem-estar das pessoas considerando sua orientação sexual.

Esse tipo de manifestação da homofobia na sociedade brasileira contribui para a violação dos direitos humanos de parcela significativa da população. Vale lembrar que esses tipos de casos resultaram, no ano de 2011, em 278 assassinatos motivados por orientação sexual, de acordo com o Disque Direitos Humanos (Disque 100).

Dessa forma, podemos entender que a construção sócio-histórica da figura do homossexual como anormal que precisa ser corrigido e, por vezes, exterminado para a manutenção dos valores e do bem estar social, ainda se faz presente em nossa sociedade. Entretanto, a violência destinada a sujeitos que têm suas sexualidades consideradas como ‘desviantes’ não se resume a agressões e assassinatos. De fato, tais manifestações só se tornam possíveis a partir de uma rede de discursos que os colocam como inferiores, vítimas de sua própria existência. Esses discursos e práticas são, então, ações de extermínios de subjetividades indesejadas.

Com base nessa realidade, é também uma tarefa da Psicologia contribuir para o enfrentamento da homofobia e suas repercussões sociais. A importância dessa ação é tanta, que em novembro de 2012 o CFP assinou um termo de cooperação com a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) para tratar do tema por meio de Comitês de Enfrentamento à Homofobia e da Campanha Faça do Brasil um Território Livre da Homofobia.

A atitude desrespeitosa de Malafaia com homossexuais ressalta um tipo de comportamento preconceituoso que não se insere, em hipótese alguma, no tipo de sociedade que a Psicologia vem trabalhando para construir com outros atores sociais igualmente sensíveis e defensores dos Direitos Humanos. O Brasil só será um país democrático, de fato, se incorporar valores e práticas para uma cidadania plena, sem nenhum tipo de discriminação. Exatamente o oposto do que prega o referido pastor.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

MOÇÃO DE APOIO À MANUTENÇÃO DA FLORESTA DO TINGUÁ COM STATUS DE RESERVA BIOLÓGICA


Os participantes reunidos neste 1º Encontro Estadual de Águas e Florestas em Paracambi vem, através da presente Moção, manifestar seu apoio integral e irrestrito a manutenção da Floresta do Tinguá com status de Reserva Biológica, pelos motivos abaixo descritos:

1 - Trata-se de uma região classificada pelas Nações Unidas, em 1993, como PATRIMÔNIO NATURAL DA HUMANIDADE – na categoria de RESERVA DA BIOSFERA, por seu imenso potencial hídrico e por sua rica biodiversidade de flora e fauna, onde se destacam o mineral tinguaíto, a bromélia e o MENOR ANFÍBIO DO MUNDO, o sapo-pulga, todos endêmicos na região. Além de uma extensa relação de espécies de animais e vegetais ainda não catalogadas pela Ciência, e outras tantas em processo de extinção.

2 - A Rebio-Tinguá possui aquedutos, pontes e represas construídos à época do Império pelo Engenheiro Paulo de Frontin, e que até hoje são responsáveis pelo abastecimento de água da Baixada Fluminense e parte do Rio de Janeiro e Região Metropolitana, constituindo-se na terceira mais importante bacia hidrográfica contribuinte do Rio Guandu.

3 - A Reserva Biológica do Tinguá possui linhas de oleoduto e gasoduto que cortam o subsolo da UC, cuja presença configura uma clara ameaça de incêndio e poluição na região, apesar das reiteradas garantias de segurança apregoadas pela PETROBRAS, proprietária dos referidos dutos.

4 - A Reserva Biológica do Tinguá, com 26 mil hectares de extensão territorial, foi criada em 23 de maio de 1989 fruto de ampla mobilização social, envolvendo entidades comunitárias, universidades, ong’s, sindicatos, partidos políticos e que englobou todos os municípios da Baixada Fluminense, em favor de sua defesa e preservação. Foi a primeira e única UC do país conquistada de baixo para cima, a partir da pressão da vontade popular.

POR TUDO ISSO, DIZEMOS NÃO À RECATEGORIZAÇÃO!!!

EM DEFESA DA VIDA!!!

TINGUÁ – RESERVA BIOLÓGICA SEMPRE!!!

(Paracambi, 25 de agosto de 2010)

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

EM DEFESA DA RESERVA BIOLÓGICA DO TINGUÁ!!!


A Reserva Biológica do Tinguá, criada por decreto federal em 1989, surgiu por força de uma expressiva mobilização social que se originou a partir de nossa comunidade aqui em Tinguá, e envolveu moradores da região, ecologistas, associações comunitárias, entidades sindicais, e universidades, todos preocupados com o destino da floresta, cujos 26 mil hectares de Mata Atlântica foram tombados pela UNESCO (órgão das Nações Unidas) como Reserva da Biosfera / Patrimônio da Humanidade.

Por causa disso, manifestamos publicamente nosso REPÚDIO à manobra que vem sendo preparada de forma traiçoeira e silenciosa pelo governo federal, visando à recategorização da Reserva Biológica do Tinguá para “parque nacional”.
O motivo principal que levou à decretação da floresta do Tinguá como Reserva Biológica está ligado ao grandioso potencial de recursos hídricos dessa região, que abastece parte da Região Metropolitana, Baixada Fluminense e parte da cidade do Rio de Janeiro. Há represas e aquedutos no interior da Rebio-Tinguá construídos à época do Império pelo Engenheiro Paulo de Frontin, e que funcionam até os dias atuais.
Outro dado importante e que serviu também para o tombamento do Tinguá como reserva foi sua imensa biodiversidade de flora e fauna, com a possibilidade de existirem inúmeras espécies ainda não catalogadas pela Ciência, além de muitas em processo de extinção.
Sabemos que interesses econômicos poderosos ligados ao ecoturismo predatório e inconsequente se escondem por trás da proposta de “parque nacional”, que tentam ressuscitar depois de 20 anos e que surge como um fantasma assombrando e ameaçando de destruição a Reserva do Tinguá.
Não podemos aceitar isso passivamente! Vamos lutar para impedir esse verdadeiro CRIME que tentam cometer contra os interesses da população!
Exigimos a manutenção de Tinguá como RESERVA BIOLÓGICA, com a imediata implantação de seu Plano de Manejo, que garantirá os recursos materiais e humanos necessários para que a unidade saia efetivamente do papel. E que a Petrobrás ajude financeiramente a Rebio-Tinguá, como contrapartida compensatória ao uso que faz de seu subsolo, no transporte de óleo e gás.

SIM À RESERVA BIOLÓGICA DO TINGUÁ E SEU PLANO DE MANEJO JÁ!!!

PELO DIREITO À VIDA!!! A REBIO-TINGUÁ É DO POVO!!!

ACESSEM O LINK ABAIXO PARA ASSINAR PELA REBIO-TINGUÁ:
A Reserva Biológica do Tinguá, criada por decreto federal em 1989, surgiu por força de uma expressiva mobilização social que se originou a partir de nossa comunidade aqui em Tinguá, e envolveu moradores da região, ecologistas, associações comunitárias, entidades sindicais, e universidades, todos preocupados com o destino da floresta, cujos 26 mil hectares de Mata Atlântica foram tombados pela UNESCO (órgão das Nações Unidas) como Reserva da Biosfera / Patrimônio da Humanidade.
Por causa disso, manifestamos publicamente nosso REPÚDIO à manobra que vem sendo preparada de forma traiçoeira e silenciosa pelo governo federal, visando à recategorização da Reserva Biológica do Tinguá para “parque nacional”.
O motivo principal que levou à decretação da floresta do Tinguá como Reserva Biológica está ligado ao grandioso potencial de recursos hídricos dessa região, que abastece parte da Região Metropolitana, Baixada Fluminense e parte da cidade do Rio de Janeiro. Há represas e aquedutos no interior da Rebio-Tinguá construídos à época do Império pelo Engenheiro Paulo de Frontin, e que funcionam até os dias atuais.
Outro dado importante e que serviu também para o tombamento do Tinguá como reserva foi sua imensa biodiversidade de flora e fauna, com inúmeras espécies ainda não catalogadas pela Ciência, além de muitas em processo de extinção.
Sabemos que interesses econômicos poderosos ligados ao ecoturismo predatório e inconsequente se escondem por trás da proposta de “parque nacional”, que tentam ressuscitar depois de 20 anos e que surge como um fantasma assombrando e ameaçando de destruição a Reserva do Tinguá.
Não podemos aceitar isso passivamente! Vamos lutar para impedir esse verdadeiro CRIME que tentam cometer contra os interesses da população!
Exigimos a manutenção de Tinguá como RESERVA BIOLÓGICA, com a imediata implantação de seu Plano de Manejo, que garantirá os recursos materiais e humanos necessários para que a unidade saia efetivamente do papel. E que a Petrobrás ajude financeiramente a Rebio-Tinguá, como contrapartida compensatória ao uso que faz de seu subsolo, no transporte de óleo e gás.

SIM À RESERVA BIOLÓGICA DO TINGUÁ E SEU PLANO DE MANEJO JÁ!!!

PELO DIREITO À VIDA!!! 

A REBIO-TINGUÁ É DO POVO!!!

ACESSEM O LINK ABAIXO PARA ASSINAR PELA REBIO-TINGUÁ:

FORUM ECOSSOCIAL DA BAIXADA FLUMINENSE
COMUNIDADE DE TINGUÁ E ADJACÊNCIAS

Contatos: Ricardo Portugal - 96526487
email: democratus@gmail.com

Márcia Marques – 76998630 
email: biomarques2302@gmail.com

OBS: Os contatos acima citados são ambientalistas do Forum Ecossocial da Baixada
Fluminense.

domingo, 7 de março de 2010

Mobilizações contra o ato Médico


No dia 9 de março, haverá uma mobilização nacional, envolvendo os Conselhos Federal e Regionais de Psicologia, contra o PL do Ato Médico. No Rio de Janeiro, o ato público ocorrerá no dia 9 de março, na Cinelândia às 17 horas . Em diversas universidades acontecerá mobilização dos estudantes com horários ainda a confirmar.

Na manifestação, os presentes promoverão um “apitaço” contra o PL do Ato Médico, uma distribuição panfletos e outras ações para conscientizar a população dos riscos que o projeto traz não só para as profissões de Saúde, mas para toda a sociedade.

O CRP-RJ vem acompanhando a tramitação do projeto. Uma das ações do Conselho, na tentativa de evitar a sua aprovação na Câmara dos Deputados, foi enviar uma carta a todos os parlamentares explicando a posição dos psicólogos. Apesar da mobilização contrária não somente do CRP-RJ, mas de muitos conselhos profissionais de Saúde, o projeto de lei foi aprovado pela Câmara no dia 21 de outubro.Também enviamos ofício para todos os senadores e deputados do Rio de Janeiro solicitando apoiocontra o projeto. Estamos em contato com alguns assessores de deputados e senadores.